quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Casos Clínicos Fungos e Vírus



  • 1-  Descreva resumidamente como pode ser feito o diagnóstico micológico (a) direto, (b) por cultivo, (c) histopatologia, e (d) por métodos moleculares. 
  • A - No exame micológico direto faz-se a raspagem do local desejado e em lamina acrescenta-se KOH ou corante calcofluorado branco. Em seguida observa-se ao microscópio.
  • B - No exame de cultura as amostras são semeadas em ágar inibidor de bolores ou
  • em àgar Sabouraud contendo antibióticos e antibacterianos e incubadas a 25-30°C, o periodo de incubação é de 24-48 horas até 4 semanas.
  • C - O exame histopatológico é realizado com o material de biopsia, onde pode ser
  • usado Hematoxilina-eosina e prata-metenamina.
  • D - Um dos métodos moleculares que pode ser utilizado é a Reação em Cadeia pela
  • Polimerase (PCR).

  • 2-  Quais características gerais um fungo deve apresentar para que o mesmo seja capaz de se instalar no tecido e causar doença (fatores de virulência)? 
  • As características necessárias que um fungo deve ter para que ele seja capaz de se instalar no tecido e causar doença são várias. Uma delas, por exemplo, é o poder toxigênico, que gera distúrbios na regulação do sistema imune do hospedeiro, inibindo a população de citocinas, reduzindo a aatividade fúngica de macrófagos e gerando dimorfismos. O fungo deve ter também capacidade de aderência (muitas vezes sendo essa aderência proporcionada por adesinas). O fundo deverá ser capaz de invadir das células do hospedeiro e de prodzir a cápsula fúngica (que proteje o fungo de produtos oxidantes presentes nos tecidos e células de defesa do organismo do hospedeiro).

  • 3-  Como você definiria um “fungo oportunista” e “um fungo patogênico”? 
  • Fungos  patogênicos são fungos capazes de causar doenças em indivíduos humanos saudáveis. Já os fungos oportunistas são aqueles que não são patogênicos em pessoas humanas saudáveis, porém, podem ser virulentos para indivíduos que sofrem de alguma doença autoimune, como a AIDS, ou para indivíduos que vem sendo tratados com drogas antibacterianas ou imunossupressoras.

  • 4-  Quais as principais características micológicas dos gêneros Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton? 
  • Os gêneros Microsporum, Tricophyton e Epidermophyton possuem em comum a queratinofilia, a capacidade de colonizar estruturas queratinizadas, assim como possuem algumas semelhanças nas características microscópicas. Como são estruturas inertes, as alterações provocadas por dermatófitos resultam em uma reação desenvolvida nos tecidos vizinhos contra produtos do metabolismo fúngico, antes que da presença dos microrganismos invasores nas partes queratinizadas.

  • 5-  Quais as formas clinicas que podem apresentar-se na esporotricose? 
  • Na esporocitose, a forma clínica mais frequente é a cutâneo-linfática, porém, existem também as formas cutânea localizada e cutânea disseminada.

  • 6-  Quais as principais formas de infecção das micoses superficiais, cutâneas, subcutâneas e sistêmicas? 
  • As principais formas de infecção das micoses superficiais são em chuveiros públicos, ao andar descalço em pisos úmidos ou públicos, assim como em lava - pés de saunas e pscinas. Já na micose subcutânea é o contato com animais de estimação, além do uso de alicates, tesouras e lixas não esterilizadas. Enquanto isso, nas micoses sistêmicas as formas de infecção podem ser a presença de agentes eitológicos no solo ou em dejetos de animais. A principal porta de entrada nesses casos são as vias aereas superiores.

  • 7-  “A Pitiriase Versicolor é uma micose superficial cujo agente etiológico são espécies do gênero Malassezia . Ao exame direto o encontro de células leveduriformes é sempre indicativo de processo patológico desencadeado por esta levedura.” Comente o texto anterior se verdadeiro ou falso justificando sua resposta. 
  • Não, o texto anterior não apresenta informações verdadeiras. O início é sim, verdadeiro, uma vez que a Pitríase Versicolor é de fato uma micose superficial causada por leveduras do gênero Malassezia sp. Além disso, o texto cita que, ao fazer o exame direto, caso seja encontrado células leveduriformes, é uma indicação de processo patológico desencadeado por essa levedura. O começo dessa frase também está correta uma vez que como a Malassezia sp é uma levedura, deverão ser encontradas células leveduriformes no exame direto. Porém, caso sejam encontradas, isso não é um sinal de patogenia, uma vez que essas leveduras apenas despigmentam a pele, não causando danos na funcionalidade das células do organismo humano.

  • 8-  A criptococose é, em geral, uma doença oportunista, pois ataca os indivíduos imunodebilitados. Não há transmissão de homem para homem ou de animais para o homem, mas a inoculação acidental de qualquer micose sistêmica é sempre muito grave. O agente etiológico, Cryptococcus neoformans, causa uma lesão pulmonar com tosse, febre e expectoração. Depois, por via hematogênica, passa para o SNC, principalmente para as meninges, ocasionando a meningite criptocócica. Os sintomas são: cefaléias contínuas, febre, prostração, vertigens, vômitos em jato, rigidez de nuca. Explique como é feito o diagnóstico e identificação do agente no laboratório clínico. 

  • A criptococose possui o diagnóstico laboratorial feito a partir de uma diversa quantidade de materiais orgânicos, como líquor, urina, fragmentos do tecido, entre outras. É realizado o exame direto da amostra, assim como é feita a cultura, avaliação histológica e sorológica. Esse exame direto revelará a apresença de leveduras arredondadas ou ovais, geralmente apresentando brotamento único, envoltas por uma cápsula polissacarídea. As colônias coletadas são semeadas em ágar Sabouraud e em outro meio diferencial (como o Ágar de Semente de Niger). Nesses meios a enzima fenolxidase produzida pelo microrganismo age sobre os substratos ácido caféico, produzindo melanina, através de uma reação de oxidação, o que resulta em uma coloração amarronzada ou preta das colônias. Técnicas moleculares podem ser utilizadas também, porém, é importante afirmar que elas possuem aplicação restrita ao diagnóstico clínico.

  • 9-  Dona de casa de 40 anos foi ao dermatologista para tratamento de lesão intertriginosa na mão. O exame direto do raspado cutâneo revelou a presença de numerosas pseudo-hifas e blastoconídios. A cultura em ágar Mycosel mostrou colônias leveduriformes, bege, com borda raiada (ou arborescente) e reverso incolor. 
    • a)  Qual o provável diagnóstico clínico? 
    • O provável diagnóstico clínico é infecção por Candidíase
    • b)  Qual o provável agente etiológico? 
    • O provavel agente etiológico é o fungo da espécie Candida Albicans.
    • c)  No laboratório clínico, como é feito o diagnóstico. Cite a sequência de exames usados para chegar ao
      diagnóstico. 
    • O diagnóstico clinico já começa com a coleta de lesões mucocutâneas, e o processamento final da amostra é feito em duas etapas, sendo a primeira delas o exame direto, no qual é observado ao microscópio o material que foi colhido, podendo ser observado, nesse caso, estruturas que caracterizam a Candida albicans ou Candida tropicalis).  A segunda etapa consiste na semeadura do material, sendo essa amostra colocada em cultivo nos meios de cultura com alguns antimicóticos que permitiriam apenas o crescimento do fungo causador da doença.
    • d)  No exame direto que estruturas seriam visualizadas? 
    • No exame direto seria visualizado um grande número de pseudo-hifas e blastoconídios.

  • 10-  Bombeiro, 29 anos foi ao dermatologista para tratamento de lesões descamativas nos pés e de lesões esbranquiçadas nas unhas dos pés. 
    • a)  Quais os prováveis agentes etiológicos das lesões dos pés? E das unhas? 
    • Os prováveis agentes etiológicos dessas lesões podem ser os fungos das espécies Trichophyton mentagrophytes, Trichophyton rubrum e Epidermophyton floccosum.
    • b)  Quais exames deveriam ser feitos para cada lesão? 
    • Para se fazer um diagnóstico de modo adequado é necessário que se faça exames complementares, como por exemplo o exame direto, a cultura de fungos, e, se possível, a biópsia das lesões, para um diagnóstico histológico das mesmas.
    • c)  Cite os prováveis achados de cada exame proposto. 
    • Ambos os exames revelarão hifas septadas e ramificadas.
    • d)  Se nas unhas dos pés chegasse ao diagnóstico de Trichophyton sp, qual a prova bioquímica
      utilizaríamos para diferenciar as espécies nesse diagnóstico. 
    • A prova bioquimica utilizada é a prova de urease.

  • 11-  Quais são as características que diferenciam os vírus dos outros seres? 
  • As características que diferenciamos vírus de outros seres sã várias, porém, de cara, seria a inexistência de organização celular dos Vírus. Além disso pode ser citado a falta de metabolismo próprio e a incapacidade de reprodução sem que esteja dentro de uma célula hospedeira. Por isso os vírus são considerados parasitas intracelulares obrigatórios.

  • 12-  Paciente 17 anos, inicia com febre, dores musculares principalmente na panturrilha. Foi ao pronto atendimento e fizeram testes onde apresentou exantema na pele. 
    • a)  Diagnóstico provável? 
    • O diagnóstico provável é uma infecção causada pelo vírus da Dengue.
    • b)  Quais exames deverão ser feitos? 
    • Os exames que deverão ser feitos serão os exames de plaqueotometria e hematócito. É possível também fazer o PCR para sorotipar.
    • c)  Qual o tratamento e os cuidados necessários para evitar complicações? 
    • O tratamento recomendado nessa caso é a hidratação oral, ou, caso seja necessário, hidratação endovenosa.

Dengue


O vírus da dengue é transmitido pela picada da fêmea do Aedes aegypti, um mosquito diurno que se multiplica em depósitos de água parada acumulada nos quintais e dentro das casas.
Existem 4 tipos diferentes desse vírus: os sorotipos 1, 2, 3 e 4. Todos podem causar as diferentes formas da doença.
Observação importante: Depois de muitos anos sem registro de nenhum caso de contaminação, o sorotipo 4 voltou a circular em alguns estados do Brasil. Especialmente as crianças e os jovens não desenvolveram imunidade contra ele. Por isso e para evitar a dispersão desse vírus, o Ministério da Saúde determinou que todos os casos suspeitos de dengue 4 sejam considerados de comunicação compulsória às autoridades sanitárias no prazo de 24 horas.
Sintomas
A grande maioria das infecções é assintomática. Quando surgem, os sintomas costumam evoluir em obediência a três formas clínicas: dengue clássica, forma benigna, similar à gripe; dengue hemorrágica, mais grave, caracterizada por alterações da coagulação sanguínea; e a chamada síndrome do choque associado à dengue, forma raríssima, mas que pode levar à morte, se não houver atendimento especializado.
a) Dengue clássica
Nos adultos, a primeira manifestação é a febre alta (39º a 40º), de início repentino, associada à dor de cabeça, prostração, dores musculares, nas juntas, atrás dos olhos, vermelhidão no corpo (exantema) e coceira. Num período de 3 a 7 dias, a temperatura começa a cair e os sintomas geralmente regridem, mas pode persistir um quadro de prostração e fraqueza durante algumas semanas.
Nas crianças, o sintoma inicial também é a febre alta acompanhada apatia, sonolência, recusa da alimentação, vômitos e diarreia. O exantema pode estar presente ou não.
b) Dengue hemorrágica
As manifestações iniciais da dengue hemorrágica são as mesmas da forma clássica. Entretanto, depois do terceiro dia, quando a febre começa a ceder, aparecem sinais de hemorragia, como sangramento nasal, gengival, vaginal, rompimento dos vasos superficiais da pele (petéquias e hematomas), além de outros. Em casos mais raros, podem ocorrer sangramentos no aparelho digestivo e nas vias urinárias.
c) Síndrome do choque associado à dengue
O potencial de risco é evidenciado por uma das seguintes complicações: alterações neurológicas (delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia), sintomas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva, derrame pleural. As manifestações neurológicas, geralmente, surgem no final do período febril ou na convalescença.
Diagnóstico
O diagnóstico de certeza da dengue é laboratorial. Pode ser obtido por isolamento direto do vírus no sangue nos 3 a 5 dias iniciais da doença ou por exames de sangue para detectar anticorpos contra o vírus (testes sorológicos).
A prova do laço está indicada nos casos com suspeita de dengue, porque avalia a fragilidade capilar e pode refletir a queda do número de plaquetas.
Vacina
Uma vacina contra os quatro tipos da dengue, desenvolvida a partir de uma cepa do vírus vivo, geneticamente modificado, está sendo testada em humanos. Até o momento os voluntários não apresentaram reações adversas.
Tratamento
Não existe tratamento específico contra o vírus da dengue. Tomar muito líquido para evitar desidratação e utilizar medicamentos para baixar a febre e analgésicos são as medidas de rotina para aliviar os sintomas.
Pacientes com dengue, ou com suspeita da doença, precisam de assistência médica. Sob nenhum pretexto, devem recorrer à automedicação, pois jamais podem usar antitérmicos que contenham ácido acetilsalecílico (AAS, Aspirina, Melhoral, etc.), nem anti-inflamatórios (Voltaren, diclofenaco de sódio, Scaflan), que interferem no processo de coagulação do sangue.
Recomendações
* Dengue é uma doença que pode evoluir rapidamente da forma clássica para quadros de maior gravidade;
* A pessoa só desenvolve imunidade para o tipo de vírus que contraiu e pode infectar-se com outro sorotipo, o que aumenta o risco de doença hemorrágica;
* A identificação precoce dos casos de dengue é de importância fundamental para o controle das epidemias;
* Combater os focos do mosquito transmissor é a única maneira de prevenir a transmissão da doença.

Replicação Viral


Passos da replicação viral:
1 - Reconhecimento da célula alvo.
2 - Ligação do vírus à célula por adsoção.
3 - Penetração.
4 - Perda do capsídio ou "despir" do  vírus.
5 - Síntese de macromoléculas:
    a) RNA m e síntese proteica: genes não-estruturais para enzimas e proteínas  que actuam conjuntamente
        com os ácidos nucleicos.
    b) Replicação do genoma.
    c) RNA m tardio e síntese proteica: proteínas estruturais.
6 - Modificação das proteínas pós-tradução.
7 - Montagem do vírus.
    a) Ligação do envelope viral.
8 - Libertação do vírus.
O vírus está em condições de infectar novas células.
  

A adsorção ocorre apenas quando existem receptores em ambos os intervenientes: a célula hospedeira e o vírus. Este pormenor determina a gama de hospedeiros de um vírus. Um exemplo é o vírus da polio, em que os primatas têm receptores para o vírus da polio enquanto que os roedores não têm.
Existem dois esquemas principais utilizados pelos vírus para entrarem na célula.
- Endocitose mediada por receptores;
- Fusão directa.
    Na endocitose mediada por receptores, o vírus ligado entra na célula por interacção do seu envelope com a região coberta por clatrina e então ocorre a invaginação para o interior da célula com a formação de endossomas. Pensa-se que o abaixamento do pH é o responsável pela fusão das membranas (da célula hospedeira e do envelope viral), e a penetração final da membrana do endossoma pelo vírus. Este mecanismo de abaixamento de pH é originado por uma ATPase que bombeia activamente  protões para o interior do endossoma. No caso de vírus nús, não ocorre fusão de membranas no endossoma. Em vez disso, o vírus nú causa um buraco na membrana do endossoma e liberta o seu genoma na célula hospedeira.
    A fusão directa é utilizada por alguns vírus com envelope. Depois da ligação, o receptor viral sofre uma alteração conformacional. É criado um peptídeo de fusão para causar a fusão entre as membranas do vírus e a da célula hospedeira.
Podemos considerar duas fases principais num ciclo de replicação viral: 
- uma fase inicial, com a ligação do vírus à célula hospedeira, penetração e início da perda do capsídio da partícula viral; 
- uma fase tardia, ocorre desde a síntese macromolecular até à montagem do vírus e posterior libertação. 


A - Vírus com DNA
Tipo I - Estratégia de replicação de vírus de dsDNA
1. Transcrição primária pelas enzimas do hospedeiro.
2. Tradução das proteínas iniciais (= reguladoras - algumas enzimas).
3. Replicação do DNA genómico do vírus.
4. Transcrição tardia (normalmente mediado por proteínas virais).
5. Tradução das proteínas (= estruturais).
6. Montagem das proteínas estruturais e do DNA em viriões.
    Exemplos: Herpesvírus, Adenovírus
 
Tipo II - Estratégia de replicação de vírus de ssDNA
1. Conversão em dsDNA (= processo de reparação do hospedeiro?).
2. Transcrição inicial (pelas enzimas do hospedeiro).
3. Tradução das proteínas (reguladoras) e replicação do ssDNA em "circulo-rolante".
4. Transcrição tardia (normalmente mediada pelas proteínas virais).
5. Síntese das proteínas tardias (=estruturais).
6. "Sequestro" do genoma viral ssDNA.
7. Montagem dos viriões.
    Exemplos: Parvovírus
  

B - Vírus com RNA
Tipo III - Estratégia de replicação de vírus de dsRNA
1. Transcrição primária no núcleo viral que se encontra no citoplasma pelas RDPR (polimerases de RNA-dependentes de RNA) virais, e exportação da cadeia RNA (+) para o citoplasma.
2. Tradução da cadeia de RNA (+), acumulação de proteínas virais.
3. Montagem da cadeia de RNA (+) e proteínas virais em viriões imaturos.
4. Transcrição da cadeia de RNA (+) em dsRNA nos viriões pela RDRP viral.
5. Transcrição secundária de dsRNA.
6. Montagem final / maturação dos vírus.
    Exemplos: Reovírus
 
Tipo IV - Estratégia de replicação de vírus de ssRNA de cadeia (+)
1. Tradução do RNA viral como RNAm (produtos iniciais = RDRP).
2. Síntese de uma cadeia de RNA (-) molde pelas RDRP (= formação de um complexo replicativo, CR).
3. Síntese de RNA (+) e/ou mensageiro e de RNA (-).
4. Tradução do RNA (+), síntese das proteínas estruturais (as quais influenciam CR a produzir RNA (+)?).
5. Montagem das proteínas estruturais e RNA (+)  e maturação dos viriões.
    Exemplos: Picornavírus, Togavírus
 
Tipo V - Estratégia de replicação de vírus de ssRNA de cadeia (-)
1. Transcrição primária da cadeia de RNA (-) pela RDRP no núcleo viral que se encontra no citoplasma da célula hospedeira;
produção (essencialmente) de RNAm e RNA (+), formação do CR.
2. Tradução do RNAm, acumulação de produtos.
3. As proteínas virais interagem com o CR, levando-o a produzir exclusivamente RNA (+).
4. Transcrição secundária das moléculas de RNA (-), tradução, acumulação de proteínas estruturais.
5. Montagem do nucleocapsídeo e maturação, empurrando-o para a membrana da célula hospedeira o que origina uma "vesícula de exocitose" em que ocorre a formação do envelope lipídico com as proteínas virais específicas na sua superfície.
    Exemplos: Rabdovírus, Ortomixovírus, Paramixovírus
 
Tipo VI - Estratégia de replicação de vírus de ssRNA de cadeia (+)
1. Transcrição reversa no citoplasma do RNA (+), utilizando um primer de RNAt do vírus, pela transcriptase reversa (RT) virais associadas; criação num complexo intermediário de RNA / DNA.
2. Conversão do complexo de RNA / DNA cadeia linear ou circular de formas de dsDNA provirais com longas zonas de "repeats" terminais pela transcriptase reversa; importação destas moléculas para o núcleo.
3. Integração do DNA linear proviral no DNA da célula hospedeira, através da função integrase da transcriptase reversa.
4. Replicação e transcrição com o hospedeiro, utilizando as enzimas do hospedeiro.
5. Modificação da transcrição pelos produtos virais iniciais (de forma a direccionar a produção do genoma de RNA (+)).
6. Tradução, acumulação das proteínas tardias (= estruturais), montagem do nucleocapsídeo com a molécula de RNA (+) no interior deste, e formação de uma "vesícula de exocitose" em que ocorre a formação do envelope lipídico com as (glico)proteínas virais específicas.
    Exemplos: Retrovírus (HIV)
  

C -
Tipo VII - Estratégia de replicação de vírus de dsDNA via intermediário de RNA
1. Entrada do DNA viral no núcleo, conversação do DNA genómico "fendido" em cccDNA pelas polimerase do hospedeiro com função de reparação de DNA de cadeia única.
2. Transcrição para RNAm, por intermédio do RNA hospedeiro, e formação do complexo intermediário ...
3. Tradução do RNAm e RNA (+) no citoplasma, acumulação de produtos virais.
4. Interacção entre as proteínas virais, montagem dos proviriões, e transcriptase reversa de RNA no interior pela  RT viral para formar o complexo RNA / DNA.
5. Conversão do complexo RNA / DNA em forma circular, e aprisionamento do dsDNA pela RT 6. Maturação viral final, arrastando alguma actividade de DNA polimerase suplementar para o vírus.
 
    Exemplos: Hepadnavírus 


Características dos Fungos


            Fungos

Definição
* organismos eucarióticos

* aclorofilados
* apresentando nutrição absortiva (heterotróficos)
* reprodução sexuada ou assexuada

* apresenta parede celular
* estruturas somáticas
(unicelulares, vegetativas filamentosas e ramificadas)

Características gerais
3.1. Nutrição absortiva

* enzimas extracelulares (exoenzimas)

* quebra de diferentes moléculas insolúveis:
- carboidratos
- lipídeos

* grande variedade de produtos metabolizados
* necessidade de água livre: difusão

3.2. Temperaturas de crescimento
 * ótima: 25-30oC
* mínima: 10oC
* máxima: 40oC
algumas espécies termófilas (> 50oC) e psicrófilas (< 0oC)

3.3. pH: 4-7

3.4. Oxigênio
* aeróbios (maioria)
* anaeróbios facultativos: respiração e fermentação
* anaeróbios obrigatórios: fermentativos obrigatórios

3.5. Luz

* desnecessária para o crescimento somático

* pode ser importante para indução de estruturas reprodutivas
* orientação dos esporóforos para descarga dos esporos

3.6. Modo de vida
os fungos são organismos quimiorganotróficos:
* saprófitas: Obtem alimento decompondo organismos mortos. Vivem sobre a matéria orgânica
* parasitas
: Obtém alimentos de organismos vivos.
* simbiontes: Sem grande importancia médica
* predadores: Capturam pequenos animais.

3.7. Estrutura somática

* hifas: filamentos tubulares ramificados, com crescimento apical. As hifas formam, juntas, corpo do fungo, chamado de micélio.
* leveduras: sem micélio ou dimórficas.
Formato esférico ou oval. Tem parede dupla. Aspecto macroscópico cremosos, pastoso, gelatinoso. Aspecto úmido.

3.8. Septo

* hifas septadas: Podem ser monocarióticas ou dicaritóricas.
* hifas desprovidas de septos: micélio cenocítico

3.9 Diferenciação de hifas
* Rizóides: Estruturas semelhantes a raízes. Tem a função de fixação do fungo ao substrato.
* Anastomoses: é a fusão ou união de hifas por pareamento
* Grampo de conexão: alterações do sistema de septação
* Sugadores:

3.10. Parede celular
* forma da hifa
* proteção
* reconhecimento: processo sexual, simbioses * microfibrilas localizadas na parte interna,
embebidas numa matriz amorfa β-glucanos e quitina
α-glucanos e glicoproteínas
* não tem celulose apesar de eucariótico (mas tem ergosterol)

3.11. Organelas
* núcleos: pequenos e muito maleáveis
* mitocôndrias: forma de bastonetes com cristas achatadas * ribossomos
* retículo endoplasmático
* complexo de Golgi
* citoesqueleto: tubulina e actina (?)
* vacúolos

a) Reprodução assexuada:
Ocorre com mais frequencia (várias vezes numa estação) Maior número de indivíduos (mas menor variabilidade genética)
* esporos assexuais (produzidos mitoticamente: geneticamente
iguais)
* fragmentação de hifas
* gemulação

 4. Reprodução Assexuada
Tipos de esporos assexuais:
- esporangiósporos: esporos internos produzidos por mitose em esporângios
Tipos de esporos assexuais:
- zoósporos: esporos móveis produzidos em zoosporângios
- Conídios: esporos externos imóveis
Esporos formados por meiose: indivíduos diferentes doam seus núcleos Formação, ou não, de estruturas especializadas

Classificação dos fungos

A classificação baseia-se primariamente nos seguintes critérios:
1. Características morfológicas do micélio vegetativo ou de suas células
2. Características dos esporos sexuais e corpos de frutificação presentes durante os
estágios sexuais dos seus ciclos de vida 3. Natureza de seus ciclos de vida

5.1. Filo Neocallimastigomycota
São anaeróbios obrigatórios no sistema digestivo de animais herbívoros Auxiliam de forma importante na nutrição desses animais
Não apresentam mitocôndria
Reprodução assexuada por zoósporos com ou sem flagelos
5.2. Filo Blastocladiomycota
Fungos do solo e água
Normalmente são anaeróbios facultativos
Algumas espécies auxiliam na degradação da matéria orgânica e outras são patogênicas
Reprodução sexual pela fusão de gametas (zoósporo com flagelo único)
5.3. Filo Microsporidia
Parasitas unicelulares de insetos, crustáceos, peixes e animais
Não tem mitocôndria, mas tem mitossomas (sem DNA)
Algumas espécies são letais e outras são utilizadas em controle biológico Reprodução assexual e sexual (esporos sem flagelos)
5.4 Filo Chytridiomycota
Chytridion significa “pequeno pote” em grego
- Habitat
* maioria vivem na água e no solo
* trato digestivo de mamíferos herbívoros
- Modo de vida
* saprófitas: (maioria) invasores primários de matéria orgânica * parasitas:
- plantas - insetos - anfíbios - fungos
* simbiontes (anaeróbios do rúmen)
- Maioria cenocíticos, alguns unicelulares
- Reprodução:
* assexual por zoósporos com um único flagelo
* sexual: fusão de gametas (zoósporos) e meiose zigótica
5.5. Filo Glomeromycota
Características gerais:
* Simbiontes obrigatórios
* Formação de arbúsculos nas raízes das plantas
* Esporos grandes, multinucleados com paredes grossas * Hifas não septadas
Habitat:
* solo
Modo de vida
* formam associações (endomicorrízicos) no interior das raízes da grande
maioria das plantas herbáceas e árvores tropicais.

Importância:
* Essenciais no funcionamento do ecossistemas terrestres
Reprodução:
* Não há evidências de que se reproduzam sexualmente.
* Por não poderem ser cultivados axenicamente, são propagadas na planta
hospedeira em estufas. Os esporos produzidos em culturas aberta não são estéreis, abrigando uma ampla variedade de bactérias e outros fungos

5.6. Filo Ascomycota
Grupo grande, complexo e diversificado
Características gerais:
* micélio septado
* parede celular: quitina e β-1,3-glucanas
* presença de ascas: estruturas contendo ascósporos * filo em que estão as leveduras

5.6. Filo Ascomycota
Habitat:
* solo, água * plantas
* animais
Modo de vida
* saprófitas: decompondo excrementos, madeira, folhas * parasitas: plantas (mais importantes), insetos, peixes * simbiontes: líquens, ectomicorrizas
Importância:
* produção de antibióticos (Penicillium)
* doenças: plantas, animais
* micotoxinas (Aspergillus spp.)
* espécies comestíveis de alto valor (trufas) * produção de álcool e bebidas
5.6. Filo Ascomycota
Reprodução:
- Assexual * fissão binária ou gemulação: leveduras * formação de esporos assexuais: conídios
- Sexual
*ocorrência de órgãos sexuais especializados * formação de ascósporos no interior de ascas * formação de ascocarpos

5.7. Filo Basidiomycota
-Grupo grande e diverso, desde espécies microscópicas até aquelas visíveis a olho nu.
Características gerais:
- esporos sexuais externos: basidiósporos, produzidos em basídios - micélio bem desenvolvido e septado.
5.7. Filo Basidiomycota
- Habitat: fungos essencialmente terrestres
- Importância
* comestíveis
Shiitake é cultivável
Boletus não é cultivável (depende da
associação com plantas) * venenosos
* úteis para as plantas
* produtos secundários: antibióticos, aromas
- Modo de vida
* decompositores: principais agentes que decompõem celulose e lignina
* simbiontes: ectomicorrizas
* patógenos: principalmente de plantas

6. Importância
Micologia: ca. 250 anos
Manifestações do grupo são conhecidas desde a antiguidade:
* vinho
* pão
* cerveja
* uso de fungos na medicina
Como nossas vidas estão intimamente ligadas aos fungos; a significância da descoberta da Penicilina

6.1. Decomposição da matéria orgânica
* atividade de maior importância global
* principais agentes de decomposição em florestas:
- celulolíticos
- ligninolíticos
* liberação de nutrientes para as plantas
6.2. Destruição de produtos
* madeira: postes, estradas de ferro, navios, casas, etc. * outros materiais: tecidos, lentes, discos, etc.

6.3. Micotoxinas
* ocratoxinas: Aspergillus ochraceous e Penicillium viridicatum
- cereais
- atrofia renal
* aflatoxinas: Aspergillus flavus e A. parasiticus
- grãos oleaginosos
- câncer do fígado
* fumonisinas: Fusarium moniliforme
- milho
- câncer do esôfago
Claviceps purpurea
Fungo parasita que ataca o centeio, e do qual se extraem vários alcalóides e substâncias de uso medicinal. É um fungo conhecido por ser alucinógeno, e usado para fabricar LSD. Quem ingerir o fungo pode desenvolver uma doença atualmente denominada de ergotismo (Wikipedia)

6.4. Antibióticos e outros medicamentos
* Penicilinas: Penicillium chrysogenum
* Cefalosporinas: Cephalosporium acremonium
* Ciclosporina: Cylindrocladium lucidum, Tolypocladium infatum
6.5. Alimentos
* cogumelos
- cultivados desde o ano 600 na China; a partir de 1650 na França - importante mercado em expansão

6.6. Envenenamentos
* Amanita spp.
* Fungos de parede

6.7. Produção de alimentos * queijos
* salsichas * pão
* cerveja
�� Fermentação de produtos lácteos �� Queijo
�� Penicillium – queijo camembert, roquefort, brie
�� Pães
�� Saccharomyces cerevisae
Bebidas alcoólicas
�� Cervejas: produção de >100 bilhões de litros por ano mundialmente
(U$ 300 bilhões) usando Saccharomyces cerevisae e outras �� Vinho: fermentação usando S. cerevisae
�� Vinagre: fermentação a álcool (S. cerevisae) e em seguida a ácido acético (Acetobacter e Gluconobacter) ou conversão direta a acetato (Clostridium spp.)

Vegetais fermentados
�� Molho de soja – Aspergillus oryzae, Pediococcus soyae,
Saccharomyces spp., Torulopsis spp. �� Miso – Aspergillus oryzae
�� Tempeh – Rhizopus spp.
�� Tofu e Sofu – Mucor spp.
6.8. Produtos de valor industrial * álcool
* ergosterol (precursor da vitamina D - vegetarianos)
* cortisona (inflamações, alergias, etc.)
* enzimas: α-amilases, renina (regula pressão arterial, celulase,
catalase (degrada H2O2 no processo respiratório)
* ácidos orgânicos: fumárico (tratamento da psoríase), láctico, cítrico * vitaminas do complexo B: leveduras
* reguladores de crescimento de plantas: ex. giberelinas
* surfactantes
6.9. Doenças de plantas
* perdas econômicas e sociais
* extinção de espécies em escala regional
* controle biológico de ervas daninhas (micoherbicidas)
6.10. Simbiontes
* ectomicorrizas
* micorrizas arbusculares * endófitos
* artrópodes
* líquens
- atividade antibacteriana
- veneno para flechas (índios EUA) - corantes (índios EUA)
- geléias na Turquia
- condimento para pães no Egito
- ingrediente de perfumes finos
6.11. Controle biológico de doenças e pragas * Trichoderma spp.
* Penicillium spp. * Arthrobotrys

6.12. Doenças no homem e animais
* mais comuns em regiões tropicais
* pacientes imunodeprimidos: AIDS, câncer, transplantes
ex. Candidíases, criptococose, blastomicose Pneumocystis carinii - pneumonia em aidéticos

6.13. Alergias
* esporos